quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bertrand Russell- Uma mensagem para as gerações futuras


Num programa de televisão, Face-to-Face da BBC em 1959, foi perguntado a Bertrand Russell, que mensagem deixaria para as gerações vindouras. A resposta dele foi que diria duas coisas: uma intelectual e outra moral.
Se querem saber quais são vejam o vídeo.
É um espantoso testemunho, pela inteligência e pela simplicidade. Palavras imperdíveis e, verdadeiramente, inspiradoras.


Para saber mais sobre Bertrand Russell consultar e ler esta postagem.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A relevância da floresta nativa na Madeira

Cada floresta pristina organiza-se e adopta uma sociedade de seres que dela dependem mas com ela interconectam-se em redes de energia e de matéria impensáveis e de uma liquidez económica incríveis.
Início da Levada dos Moínhos, Porto Moniz, Madeira (Foto de autor)
A actual floresta indígena da Madeira, «na sua maioria, representada por árvores da família das lauráceas, no dragoeiro e nos fetos», existiu outrora no sul da Europa e bacia do Mediterrâneo, onde foram encontrados fósseis de espécies da floresta madeirense, tendo-se aí extinguido naturalmente. Interroga-se então, o porquê da extinção desta floresta nesse continente, e como terá podido sobreviver nestes arquipélagos atlânticos? E como vieram lá parar? Relativamente à primeira resposta, sabemos que, no final do Terciário verificou-se uma descomunal modificação no clima europeu, caracterizado por um gradual arrefecimento. Este abaixamento da temperatura surgiu na sequência da expansão em direcção ao sul da calote de gelo polar. Quase em simultâneo, começou a processar-se uma alteração climática na zona do norte de África, tornando-se aí o clima mais seco. Desta forma, a floresta subtropical do sul da Europa deixou de encontrar as condições climáticas ideais ao seu desenvolvimento sustentado, devido ao frio crescente vindo de norte e à aridez proveniente do sul, dando-se assim, início ao seu processo de recuo e consequente extinção. Quanto à segunda resposta julga-se que os arquipélagos atlânticos protegidos que estavam destas mudanças climáticas, devido à sua localização oceânica, serviram de “poiso” a determinadas aves que aqui “semearam” sementes originárias dessa mesma floresta do sul da Europa, também de África, e talvez de outros continentes.
De referir que, as aves que habitam a floresta da Madeira (Laurissilva), como por exemplo o pombo trocaz, são na sua maioria “comedores de sementes”.

Trocaz  (Columba trocaz - foto via web)

Uma das características principais da floresta indígena madeirense, nas suas espécies, que na sua maioria são de expressão sexual dióica, (necessitando de uma planta de sexo masculino para se reproduzirem), são produtoras de sementes, e por sua vez, esta interdependência “aves-versus-floresta”, também ajudou à consolidação da mesma. Por essa razão, o pombo trocaz é actualmente protegido, pois o mesmo se tornou, o grande “semeador” da floresta autóctone insular, designadamente a Laurissilva. Quanto às outras espécies de plantas, se chegam por cá poeiras do Deserto do Saara, arrastados pelos ventos de leste, também chegam outras sementes! Assim, a “floresta terciária” sobreviveu, persistindo até hoje! Esta, é considerada por muitos especialistas como uma floresta “fóssil vivo”, que acompanhou a história geológica das ilhas do Arquipélago da Madeira, ao longo de milhões de anos. A testemunhá-lo, foi o “achado” de fósseis de toros, “que se julga ser de barbusano”, entre camadas de tufo vulcânico e de alcatrão, por ocasião da perfuração do túnel para passagem da Levada do Norte na Encumeada de São Vicente, em 1947. Alguns destes exemplares, encontram-se actualmente no Museu Municipal do Funchal e no Museu da Electricidade "Casa da Luz".

A floresta da Madeira, particularmente a Laurissilva, é actualmente a mais extensa e a mais bem conservada dos arquipélagos atlânticos (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), que constituem a Macaronésia (regiões com características fitográficas e biológicas comuns), e por conseguinte pode-se afirmar que, a Madeira possui a melhor e mais extensa mancha de floresta Laurissilva do Mundo. A totalidade da área desta floresta, e dada a sua importância, foi recentemente classificada como Reserva Biogenética e incluída na rede europeia de Reservas Biogenéticas, sob a égide do Conselho da Europa. As Reservas Biogenéticas constituem áreas protegidas europeias onde ocorrem ecossistemas, biótipos e espécies únicos, raros ou ameaçados e característicos de uma dada região.

A floresta Laurissilva, é uma floresta “produtora” de água (pdf), que no caso da ilha da Madeira, e face à sua localização geográfica, com a cordilheira central perpendicular (oeste - leste) aos ventos predominantes de nordeste (os alíseos), carregados de vapor de água do oceano, impulsionados por correntes de ar ascendentes, chocam com as montanhas, e ao passar pela floresta, provocam a chamada precipitação oculta, e se for nos planaltos ou nos píncaros “assume” a designação de “horizontal”, onde predomina o Urzal de Altitude.


Na Madeira, existe mais água na vertente norte do que na vertente sul. Por esta razão se construíram canais de transporte de água, as levadas, que na sua maioria também "nascem" a norte, captando as nascentes aí existentes.

Uma visita imperdível é o Jardim Botânico do Funchal. Existem no Jardim duas áreas dedicadas à flora da Madeira; uma localizada na zona do arboreto, e outra, na secção sul do jardim, junto ao anfiteatro e à coleção de palmeiras e cicas.

Na coleção localizada no arboreto destacam-se as espécies arbóreas da Laurissilva da Madeira, tais como a Faia (Myrica faya), o Folhado (Clethra arborea), o Vinhático (Persea indica), o Til (Ocotea foetens) e o Loureiro (Laurus novocanariensis) e ainda outras espécies endémicas da Madeira e Macaronésia raras ou ameaçadas de extinção, nomeadamente o Mocano (Pittosporum coriaceum), o Dragoeiro (Dracena draco), o Jasmineiro (Jasminum azoricum), o Gerânio da Madeira (Geranium maderense) e Cheirolophus massonianus entre várias outras.

A coleção de espécies endémicas da Madeira visa dar a conhecer a flora do Arquipélago da Madeira. A coleção inclui exemplares de vários taxa endémicos, alguns dos quais raros e ameaçados de extinção. Destaca-se por exemplo Jasminum azoricum, Cheirolophus massonianus, Chamaemeles coriacea, Pittosporum coriaceum e Prunus lusitanica subsp. hixa). tem as espécies organizadas de forma a representar os vários níveis de vegetação da Madeira, desde a zona litoral até às altas montanhas da ilha. Nesta zona salienta-se as espécies raras Berberis maderensis e Pittosporum coriaceum.
Destaca-se ainda nesta coleção uma área de conservação ex situ de Aichryson dumosum, espécie endémica da Madeira e extremamente rara na Natureza. Neste espaço foi recriado o peculiar habitat desta espécie, que vive por entre amontoados de rochas basálticas em apenas uma localidade da ilha da Madeira.

Bibliografia e Sites Consultados

Diário da República, 1.ª série - N.º 179 - 15 de Setembro de 2006 (pdf), foi aprovada a “Estratégia Nacional para as Florestas”, inserida na “Estratégia Florestal da União Europeia”.
NEVES, Henrique Costa et al. (1996). Laurissilva da Madeira - Caracterização Quantitativa e Qualitativa. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Parque Natural da Madeira. Funchal.
OLIVEIRA, Paulo (1999). A Conservação e Gestão das Aves do Arquipélago da Madeira. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Serviço do Parque Natural. Funchal. Funchal.
PRADA, Susana- O Potencial do Nevoeiro como Recurso Hidrológico.
QUINTAL, Raimundo (2007)- Quintas, Parques e Jardins do Funchal, Estudo Fitogeográfico

Jardim Botânico da Madeira
José Lemos Silva Madeira-Gentes e lugares

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Odeceixe e Portugal disse ao Mundo - Não ao Furo! Sim ao Futuro

Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world -> No to oil drilling 12 August 2017
Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world

Não ao Furo! Sim ao Futuro – Não à exploração de petróleo em Portugal!
PT
Cerca de 1.000 pessoas de 40 países diferentes formaram uma enorme mensagem humana na praia de Odeceixe para impedir a exploração de petróleo na costa Portuguesa. O evento integrou-se no "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative", realizado em Tamera, ao qual se juntaram líderes de Standing Rock e movimentos ambientalistas Portugueses.

A imagem humana aérea foi desenhada por John Quigley da Spectral Q, filmada por Ludwig Schramm e uma equipa de Tamera.
À medida que as empresas petrolíferas pressionam para iniciar a exploração de petróleo em Abril de 2018, juntámo-nos para honrar a água como fonte de vida, a água como sagrada, a vida como sagrada, e a necessidade de defender o que é sagrado.
#defendthesacred
#waterislife
Assina a petição: SALVAR O ALGARVE DA EXPLORAÇÃO DE GÁS E PETRÓLEO
http://bit.ly/2vCaFGI

Intervenientes- Speakers:
John Quigley
Martin Winiecki
Sabine Lichtenfels
LaDonna Brave Bull

EN

Nearly 1000 people from 40 countries form a large-scale human message on Odeceixe beach to stop plans for off-shore oil drilling in Portugal. The event was part of "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative" hosted by Tamera, joined by Standing Rock leaders and supported by environmental movements in Portugal. The aerial human image was designed by John Quigley of Spectral Q and produced by Ludwig Schramm and team from Tamera.
As the oil companies push to drill for oil off this coast as early as April 2018, we came together to honor that water is life, water is sacred, life is sacred, and that we must defend the sacred.

Sign the petition: SAVE THE ALGARVE FROM OIL AND GAS EXPLORATION
http://bit.ly/2vCaFGI

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida

Santa Valha, Valpaços (Foto de autor)

Para: Senhor Presidente da República Portuguesa, Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhores Deputados; Senhor Primeiro-Ministro, Senhores membros do Governo

Excelências,

Cidadãos vêm por meio desta petição pedir-lhes que revejam a Primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de Julho, que estabelece o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização (Decreto n.º 165/XIII) da Reforma Florestal aprovada na Assembleia da República a 19 de Julho de 2017, e promulgada a 8 de Agosto de 2017 pelo Senhor Presidente da República, por forma a que garanta que não seja autorizada a plantação de sequer mais um hectare de eucalipto no nosso país.

900 mil hectares de monocultura constituem um desequilíbrio incomensurável, temos a maior proporção territorial coberta com eucalipto do mundo. Portugal é o 5º maior produtor mundial, atrás do Brasil, China, India e Austrália, mas não tem uma extensão comparável. Esta conjuntura tem custos inegáveis.

Consideramos que a lei, tal como foi aprovada e promulgada, não acaba com novas plantações de eucalipto nem reduz a área do território ocupada por monocultura de eucalipto, pois ela:

- permite a permuta de uma área de monocultura de eucalipto com solos esgotados de nutrientes e com baixa produtividade para uma nova área de floresta produtiva com solos férteis, com a desistência de 10% de plantação ao ano com o máximo de redução de 50% ao fim de 5 anos.

Ora reduzir 10% ao ano não é o mesmo que reduzir 50% ao fim de 5 anos. Reduzindo 10% durante 5 anos uma área de 500 mil hectares ficam 295 mil e não 250 mil hectares.

- permitindo essas permutas, constitui uma importante ameaça à floresta existente onde temos já várias espécies em vias de extinção. A monocultura de uma árvore exótica, oriunda de um ecossistema longínquo, não tem valor de suporte da fauna e flora nativas, não assegura a preservação da biodiversidade. Monocultura não é floresta. Floresta é todo um ecossistema interdependente, espécies não importadas e adaptadas ao nosso ecossistema, ao nosso clima, que albergam diversidade, conservam os solos, a humidade e amenizam a temperatura ambiente.

- não prevê que, na permuta por áreas novas, as áreas onde se deixe de cultivar eucalipto sejam arborizadas com espécies autóctones. Se não se retirarem os cepos os eucaliptos voltam a crescer. Retirá-los tem custos elevados. Esses eucaliptos já não interessarão para a indústria da celulose. Ao continuarem a crescer lá eucaliptos onde está a redução do eucaliptal em Portugal?

- mantém, na prática, o deferimento tácito por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas dos pedidos de arborização com eucalipto que lhe sejam dirigidos:

Para propriedades inferiores a 10 hectares, o ICNF, aleatoriamente, seleccionará 20% dos pedidos de arborização e terá um máximo de 45 dias para responder. O deferimento será tácito nos restantes 80% (autorizados automaticamente por falta de resposta do ICNF). Para propriedades superiores a 10 hectares há deferimento tácito após 60 dias. A lei anterior previa 45 dias para propriedades superiores a 2 hectares... não vemos grande mudança.

O ICNF com efectivos reduzidos nos últimos 10 anos fica responsável por gerir e fiscalizar os 900 mil hectares de eucaliptal que temos no país. Perguntamo-nos como e com que inspectores?
Falamos do mesmo ICNF que permitiu o abate de 200 sobreiros na Azambuja para plantar um olival de cultivo intensivo? Ou o abate de carvalhos na Quinta das Nogueiras pela Santa Casa da Misericórdia do Fundão em plena estação da nidificação das cegonhas que por lei deveria proteger?
Duvidamos que este ICNF consiga travar a exploração de monoculturas de árvores com vista exclusiva ao lucro rápido e cumprir a sua função de proteger os ecossistemas.

- não apoia claramente o lucro superior, inclusivamente ambiental e turístico, que retiramos de florestas de uso múltiplo constituídas por espécies autóctones.

Na criação de valor acrescentado com base em produtos certificados da floresta, como farinha de avelã, de noz, de castanha, de bolota, de pinhão (farinhas sem gluten) e concomitantes actividades em que ainda temos tradição e elevada qualidade, como mel, azeite, medronho, resina, pastorícia, cinegética (safari fotográfico) acrescentando o valor da prática de desporto e ocupações de lazer num ambiente saudável, explorando o valor paisagístico com guias da natureza e/ou guardas florestais que pudessem também dar a conhecer a fauna e flora locais a visitantes... por que não considerar a hipótese de existir potencial para uma maior contribuição para o PIB e para a dinamização do interior do país do que com o eucalipto?

- não possibilita que os municípios possam vetar o uso das terras para eucaliptal. Não obriga a consulta pública.

A lei não põe em causa a necessidade de reduzir a área de eucaliptal e aparenta propor-se fazê-lo, mas não cumpre a expectativa que criou. Confiamos que os nossos governantes e legisladores, independentemente de partidos políticos, no superior interesse da nação, queiram ver aplicada uma lei que cumpra o propósito para o qual foi criada.

Foi prometido aos Portugueses que não seria permitido aumentar a área dedicada à monocultura de eucalipto no nosso território. Cremos, pelas razões expostas, que esta lei defraude as expectativas de ver essa promessa cumprida.

Em consciência, esgotando todas as diligências ao nosso alcance para evitar que tragédias como a de Pedrógão Grande se voltem a repetir ainda no Vosso mandato, acreditamos que juntarão a Vossa voz à nossa para que possamos marcar juntos o momento a partir do qual optámos pelo futuro da nossa floresta, de forma inequívoca.

A maior homenagem é aquela que faz com que a perda de vidas não tenha sido em vão, e é com esperança de nos podermos sentir serenos com o cumprimento desse dever que assinamos 

(11 de Agosto de 2017)
Assinar e divulgar a Petição aqui

domingo, 13 de agosto de 2017

A fileira do eucalipto em Portugal: mitos e realidades

Lisboa, 9 de Agosto de 2017 - A QUERCUS e a ACRÉSCIMO confrontaram as informações difundidas pela CELPA, Associação da Indústria Papeleira sobre as florestas, a atividade silvoindustrial e a fileira da pasta e papel em Portugal, com as estatísticas oficiais disponíveis e chegaram a conclusões.
Fonte: Quercus
Eis os 12 itens essenciais:

1. Em Portugal, 98% da área florestal é detida por famílias?

Não! Em Portugal, o Estado dispõe apenas de 1,6% da área florestal nacional. A indústria papeleira detém cerca de 6,5%, muito embora, entre 2001 e 2010, a mesma tenha registado uma contração, apenas em plantações de eucalipto, superior a 33,8 mil hectares, Da área restante, as áreas comunitárias, os baldios, representam cerca de 12%.
Assim, as famílias serão detentoras de cerca de 80% da área florestal nacional

2. Existem 400.000 proprietários com plantações de eucalipto em Portugal?

Não existem estatísticas fiáveis, pela ausência de cadastro rústico em parte significativa do país, quanto ao número de proprietários rústicos detentores de superfícies florestais. O número de 400.000 proprietários é um valor desactualizado relativo ao total de proprietários florestais que detêm várias espécies e não apenas dos produtores de eucalipto. Através das Finanças, em dados de 2006, sabe-se que o número total de prédios rústicos em Portugal ascende a quase 11 milhões, sendo que, em 14 dos 18 distritos do continente, a área média dos prédios é de 0,57 hectares.

3. As plantações de eucalipto representam apenas 13% da área ardida em Portugal?
Não! Nos últimos 20 anos, a área de plantações de eucalipto em Portugal registou um acréscimo superior a 100 mil hectares. O seu envolvimento na área ardida tem crescido substancialmente. Em 1996 as plantações de eucalipto representavam 3% da área ardida total e 13%, da área ardida em floresta. Em 2015 a área ardida de eucaliptal representou 17% do total e 45% da área de povoamentos florestais ardidos.

4. A área de plantações de eucalipto em Portugal é objeto de uma adequada gestão?

Não! A par do que acontece com outras ocupações florestais, também a área de plantações de eucalipto evidencia enormes debilidades no que respeita à sua gestão. Uma grande parte dos eucaliptais em minifúndio do centro e norte do país, não tem qualquer gestão de silvicultura preventiva durante a década até ao corte. Assim, de acordo com os últimos dados disponíveis do Inventário Florestal Nacional (IFN5), da área nacional ocupada por eucalipto, em cerca de 11% trata-se de povoamentos mistos com pinheiro-bravo, em cerca de 9% o coberto é inferior a 50%, em cerca de 49% a densidade é inferior a 600 árvores por hectare, e em cerca de 12% a idade das plantações ultrapassa os 12 anos. Todos estes são indicadores de deficiente e má gestão.

5. A área de plantações de eucalipto está 100% certificada?
Não! A área ide plantações de eucalipto dos grupos industriais associados na CELPA, cerca de 19% da área total de eucalipto a nível nacional (segundo dados provisório do 2010, IFN6), estão certificadas pelos sistemas FSC e PEFC. As áreas totais das empresas associadas na Celpa representam 56% da área certificada pelo FSC e 78% da área certificada pelo PEFC.


6. A produção de rolaria de eucalipto é um negócio rentável?

Se avaliado o negócio da produção de rolaria de eucalipto conforme os dados apresentados no simulador “Análise Financeira para o Eucalipto”, desenvolvido pela própria indústria papeleira, os resultados positivos tendem a aparecer. Importa, contudo, ter em consideração as limitações de tal simulador. O mesmo tem uma fortíssima limitação para 14 dos 18 distritos do continente, onde a área média dos prédios é de 0,57 hectares, ou seja, onde o minifúndio acarreta custos específicos não considerados. Por exemplo, o encargo considerado de 1.350 euros/hectare de instalação de um eucaliptal, em minifúndio, pode atingir os 3.000 hectares/hectare. É de realçar ainda o facto de os valores de custos apresentados no simulador estarem aquém dos valores de referência, para as operações em causa, definidos por comissão de acompanhamento sediada no Ministério da Agricultura. Por último, as simulações ocorrem a 24 anos (2 cortes a cada 12 anos), não incluindo valores relativos a cortes posteriores, com produtividades decrescentes, bem como o encargo final de replantação ou reconversão do uso do solo para outras produções. Este último, em minifúndio, pode atingir os 2.000 euros/hectare.

 7. A fileira do eucalipto combate o despovoamento? Não! A expansão de plantações de eucalipto em regiões despovoadas do interior em nada contribuiu para contrariar o êxodo rural. A cultura do eucalipto baseia-se em praticas culturais simples e numa procura que se centra, sobretudo, no litoral, longe de regiões de baixa densidade populacional. A principal exceção ocorre em Vila Velha de Ródão, onde a atividade industrial se tem caracterizado por um elevadíssimo custo ambiental.


8. O sector florestal representa 100 mil postos de trabalho?

Não! No seu conjunto, a silvicultura e as indústrias florestais sustentam, de acordo com dados de 2013, cerca de 66 mil postos de trabalho. A silvicultura é responsável por cerca de 5 mil postos de trabalho e as indústrias florestais, nas suas diferentes fileiras, por cerca de 61 mil empregos.


9. O sector florestal em Portugal representa 5% do PIB?

Não! De acordo com os dados do INE, em 2013 o Valor Acrescentado Bruto do sector florestal representava 1,2% do PIB. A indústria papeleira tinha um peso de 0,5% do PIB.


10. As importações de eucalipto para a indústria papeleira têm aumentado?

Não! No que respeita às importações de rolaria de eucalipto, tem-se assistido a uma redução desde 2013, isto, apesar do aumento nas aquisições.


11. As plantações de eucalipto têm tido um impacto relevante no sequestro de carbono em Portugal?

Não! No curto prazo o sequestro de carbono é mais rápido pelo eucalipto, contudo, em termos de cenários das alterações climáticas é mais relevante que o carbono fique armazenado no máximo período de tempo, o que se anula com o corte e transformação industrial do eucalipto. Há que ter ainda em conta o desempenho crescente das plantações de eucalipto na área ardida, pelo que importa avaliar o saldo entre os ganhos e as perdas decorrentes das emissões libertadas pelos incêndios.


12. Para tornar rentável a operação industrial de produção de pasta e de papel o país carece de maior área de plantações de eucalipto?

Não! Quanto muito será oportuna a aposta em qualidade e na produtividade por área. Ora, o que a CELPA agora defende são novas plantações de eucalipto, aumentando as monoculturas com os riscos associados.

A informação difundida pela indústria papeleira em Portugal está demasiado fundamentada em mitos, pouco na realidade.

sábado, 12 de agosto de 2017

Corrida ao eucalipto antes da lei que proíbe novas plantações


Foto de Ricardo Graça

Denuncia o Jornal de Leiria, dia 10 de Agosto de 2017

Embora o Presidente da República tenha promulgado a reforma da floresta esta terça-feira, a lei, que entre outras medidas proíbe novas áreas de eucalipto, poderá entrar em vigor só em Fevereiro.

Até lá, explica Domingos Patacho, ambientalista da Quercus, são muitos os que estão a plantar esta espécie, nalguns casos sem a devida autorização, procurando antecipar-se à implementação de uma lei que se prevê mais dura com os prevaricadores.

O Jornal de Leiria teve conhecimento de três zonas onde foram recentemente plantados eucaliptos: junto à Estrada Atlântica, próximo da Praia da Légua e do Vale Furado, no concelho de Alcobaça, e também na Quinta da Várzea, no concelho da Batalha.
 

Em cada ano produzimos em plástico o equivalente ao peso de toda a humanidade

O aviso é da Fundação Oceano Azul, que arranca hoje, dia 12 de Agosto, com a campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar". Anualmente, perto de oito milhões de toneladas de plásticos invadem os oceanos.


Um milhão de aves e 100 mil mamíferos marinhos morrem todos os anos devido à poluição por plástico. Os números são da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e não são os únicos que a Fundação Oceano Azul considera alarmantes.

Emanuel Gonçalves, um dos membros da comissão executiva da fundação que é responsável por gerir o Oceanário de Lisboa, chama a atenção para os muitos milhões que estão na origem do lixo oceânico.
"Por ano são produzidos 300 milhões de toneladas de plástico à escala global, que é o equivalente ao peso de toda a humanidade. E, destes 300 milhões, estima-se que cerca de 8 milhões vão parar ao oceano", diz, em declarações à TSF, Emanuel Gonçalves, da comissão executiva da Fundação Oceano Azul.

Milhões de toneladas de plástico que chegam aos oceanos, com origem numa indústria com um ritmo de produção cada vez mais relevante e com impacto nos ecossistemas marinhos: "De 2014 a 2017 produziram-se tantos plásticos no mundo como desde que inventámos o plástico até 2014", sublinha Emanuel Gonçalves".

Segundo dados fornecidos pela Fundação Oceano Azul, o plástico constitui perto de 80 por cento do lixo marinho e representa 90 por cento do lixo encontrado no fundo oceânico.

Uma realidade que, defende Emanuel Gonçalves, deve ser invertida, tal como a forma como os cidadãos encaram o problema. "Temos de ter formas de combater o mau uso dos produtos plásticos do nosso dia-a-dia, como, por exemplo, através do cuidado em colocá-los nos recipientes próprios. É importante que as pessoas percebam que estamos a transformar o fundo do oceano num caixote do lixo", diz.

Um apelo que surge na campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar", da Fundação Oceano Azul, que pretende sensibilizar e mudar mentalidades. "Estas campanhas têm como objetivo que as pessoas mudem comportamentos, apercebendo-se daquilo que é o seu impacto no ambiente e, neste caso, nos oceanos", afirma Emanuel Gonçalves, que defende que as mudanças podem começar com pequenos gestos.
"As beatas dos cigarros, que são um dos principais produtos que encontramos a poluir as praias, têm microelementos que são feitos de plásticos e que acabam por perdurar nos ecossistemas marinhos. Se as colocarmos nos recipientes próprios estamos a contribuir para combater esse problema", lembra.
Ainda assim, entende o membro da comissão executiva da fundação, estamos hoje "muito mais atentos" a este tipo de questões do há uma ou duas décadas, em particular os jovens: "Estão muito mais atentos e pretendem ser uma voz ativa na mudança destes comportamentos".

Os projetos da fundação, que detém a concessão do Oceanário de Lisboa, passa por áreas como a promoção da literacia marítima, o financiamento de programas científicos para a preservação de espécies marinhas, o estabelecimento de áreas protegidas ou a criação de redes de pesca sustentáveis. Para isso, conta com um orçamento anual de 5,5 milhões de euros.

Saiba como esta campanha o vai ajudar a plantar árvores autóctones

Vale do Rio Bestança, por João Soares

Por Helena Geraldes, , 1 de Agosto de 2017

Até 30 de Novembro os portugueses terão a oportunidade de ajudar a plantar carvalhos, castanheiros, freixos e outras árvores autóctones em Portugal, incluindo nas áreas ardidas de Castanheira de Pera. Conheça melhor o que vai acontecer na 4ª edição da campanha “Uma Árvore pela Floresta”, acabada de lançar.

Em três anos, o projecto que junta a Quercus – Associação nacional de conservação de natureza e os CTT plantou cerca de 11.000 árvores de 28 espécies um pouco por todo o país. Amieiros, medronheiros, castanheiros, freixos, azevinhos, carvalhos-alvarinhos, sobreiros e sabugueiros são algumas das espécies da flora original portuguesa que agora crescem nas serras do Gerês, Alvão, Marão, Montemuro, Estrela e no Tejo Internacional.

A novidade para este ano é a extensão destas plantações ao concelho de Castanheira de Pera, “um dos concelhos mais afectados pelos incêndios de Julho”, explica a Quercus, em comunicado divulgado ontem.

As árvores a plantar são doadas pelos cidadãos portugueses. Para participar basta que qualquer pessoa se dirija a uma das 291 lojas CTT aderentes entre 31 de Julho e 30 de Novembro, ou então que aceda a http://umaarvorepelafloresta.quercus.pt ou à loja online dos CTT e adquira por 3 euros o kit “Uma Árvore pela Floresta”, que corresponde à plantação de uma árvore pela Quercus até à Primavera de 2018.

As áreas de intervenção situam-se no Norte e Centro de Portugal, “por ser aí que a floresta autóctone apresenta um nível de degradação maior e ainda porque nessas regiões o problema dos incêndios florestais tem maior expressão no contexto nacional”.

No ano passado, os portugueses adquiriram 5.300 árvores nativas em 320 balcões dos CTT. Estas foram plantadas no Funchal, em Fevereiro, e na serra do Alvão, em Março.

O kit é composto por uma “árvore” em cartão reciclado, reproduzindo uma espécie que muda todos os anos (este ano é uma azinheira) e um código. Este serve para registar a árvore que a Quercus irá plantar, para identificar a espécie e o local de plantação e permite-lhe consultar a evolução durante 5 anos do bosque onde foi instalada.

“Com este projeto pretende-se promover a criação de bosques autóctones, os quais oferecem uma maior resistência à propagação dos incêndios e são os que mais amenizam o clima, promovem a biodiversidade e protegem a nossa paisagem, a água e os solos”, explica a Quercus.

Os CTT disponibilizam gratuitamente a sua rede de lojas, bem como os sistemas de informação necessários para a oferta online e para o acompanhamento das árvores plantadas pelos seus padrinhos, e a Quercus coordena e operacionaliza a seleção das áreas, a escolha das espécies e a plantação.

A campanha “Uma Árvore pela Floresta” insere-se no âmbito de um projecto mais vasto, o projecto Criar Bosques, o qual, de 2008 a 2015, já plantou cerca de 370.000 árvores e arbustos com o apoio de empresas e de cidadãos. Este projecto da Quercus visa “criar e cuidar de bosques de espécies autóctones, árvores e arbustos originais da flora portuguesa”.

Saiba mais.
Descubra tudo sobre esta campanha aqui.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Poema da Semana - Canção do Exílio de Gonçalves Dias

Lisa Larson


As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores

 De Primeiros cantos (1847)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Num só ano, desapareceu uma área de floresta equivalente ao Nebraska (em 2015)

In nature nothing exists alone” ~ Rachel Carson
"Come with me" por Ellie Davies

Cerca de 20 milhões de hectares de florestas desapareceram em todo o mundo em 2015, principalmente na América do Norte e nos trópicos, refere um relatório da Global Forest Watch, publicado em 17 de Julho de 2017 (aqui, aqui e mapa aqui). As causas principais estão relacionadas com incêndios e expansão desmesuarada das plantações de óleo de palma